Se existe uma banda que define a atmosfera urbana, sombria e poética da São Paulo dos anos 80, essa banda é o Muzak. Surgida em um dos períodos mais criativos do rock brasileiro, o grupo se destacou por não seguir fórmulas prontas, apostando em guitarras dedilhadas, linhas de baixo marcantes e uma estética que dialogava diretamente com o que havia de melhor no post-punk mundial.
O Início e a Cena Paulistana (1984)
O Muzak foi formado em 1984, no auge do movimento que revelou nomes como Ira! e Titãs. No entanto, enquanto muitos seguiam pelo caminho do pop-rock, o Muzak mergulhou em sonoridades mais densas e experimentais, tornando-se figura carimbada em templos do underground paulistano, como o lendário Madame Satã.
A Formação Clássica
O som distintivo da banda foi moldado pela química entre seus integrantes originais:
- Osmar Santos: Vocal e guitarra.
- Nando Machado: Baixo.
- Victor Leite: Bateria
Marcos na Carreira: O Disco “Muzak” (1986)
Em 1986, a banda lançou seu álbum autointitulado pela gravadora Continental, produzido por Pena Schmidt. O disco é considerado uma joia perdida do rock nacional, trazendo clássicos como:
- “Lado B”: Uma faixa que se tornou hino nas pistas alternativas e rádios de rock.
- “Onde Estou”: Exemplo perfeito da melancolia e técnica da banda.
A sonoridade do Muzak era frequentemente comparada a nomes como The Sound, The Chameleons e Echo & the Bunnymen, mas com uma identidade brasileira e urbana muito própria.
O Retorno e o Legado
Após um longo hiato, a banda retornou aos palcos e ao estúdio nos anos 2010, tendo como baterista Regis Tadeu, provando que sua música é atemporal.
Em 2022, lançaram o álbum “Invisível”, mostrando que a essência criativa e a pegada pós-punk continuam mais vivas do que nunca, agora com uma produção moderna que faz jus à complexidade das composições.
Para quem busca no rock algo que vai além do entretenimento e toca na introspecção, o Muzak é parada obrigatória.





