Se você pensa que a psicodelia brasileira ficou presa nos anos 1960 e 1970 com Os Mutantes e Lô Borges, a Boogarins está aqui para provar que o transe continua mais vivo do que nunca. Surgida em Goiânia, a banda não apenas revitalizou o rock psicodélico nacional, como se tornou uma das exportações musicais mais aclamadas do Brasil nas últimas décadas, levando o som autoral cantado em português para os maiores palcos do planeta.
A Origem em Goiânia e o Início Caseiro (2012)
Tudo começou em 2012, quando os amigos de infância Fernando “Dino” Almeida e Benke Ferraz se reuniram para gravar algumas canções em casa, usando equipamentos simples. O resultado desse experimento caseiro foi o aclamado álbum de estreia “As Plantas Que Curam” (2013).
Lançado pelo selo norte-americano Other Music Recording Co., o disco chamou a atenção da crítica internacional de forma imediata. Portais globais como Pitchfork, Rolling Stone e The New York Times renderam elogios à fusão entre o neopsicodelismo, o indie rock e a herança da Tropicália presente nas composições da dupla.
Os Integrantes
A formação que consolidou a sonoridade espacial e fluida da banda conta com:
- Fernando “Dino” Almeida: Voz e guitarra rhythm.
- Benke Ferraz: Guitarra solo e sintetizadores (o “alquimista” dos efeitos sonoros do grupo).
- Raphael Vaz: Baixo e sintetizadores.
- Ynaiã Benthien: Bateria (ex-Macaco Bong, que trouxe uma cozinha precisa e cheia de groove para a banda).
Discos e Viagens Sonoras
A discografia do Boogarins é um convite à imersão, com produções cuidadosas e texturas analógicas:
- As Plantas Que Curam (2013): O cartão de visitas poético e lo-fi que abriu as portas do mundo para o grupo, com faixas marcantes como “Erva Doce” e “Lucifernand”.
- Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos (2015): Gravado em Espanha durante uma de suas turnês europeias, o álbum foi indicado ao Latin Grammy e mostrou um amadurecimento impressionante em faixas como “Avalanche”.
- Lá Vem a Morte (2017): Um trabalho mais denso, eletrônico e experimental, refletindo as incertezas do cenário político e social da época.
- Sombrou Dúvida (2019): Um disco solar e refinado, trazendo hinos do indie psicodélico como “Sombra Ou Dúvida” e “Tardança”.
- Manchaca (Vol. 1 e 2 – 2020/2021): Registros que capturam a essência das sessões de gravação da banda em Austin, no Texas, revelando o processo criativo e a liberdade de improvisação do quarteto.
Do Cerrado para os Palcos Mundiais
O Boogarins é uma verdadeira “banda de estrada”. O grupo já realizou centenas de shows fora do Brasil, marcando presença nos festivais mais prestigiados do mundo, incluindo Coachella, Rock in Rio, Lollapalooza (Brasil e EUA), Primavera Sound (Espanha) e SXSW.
Seus shows são celeiros de improvisação, onde as faixas dos discos ganham arranjos estendidos, hipnóticos e viagens sonoras inéditas a cada apresentação.





