Se o rock brasileiro costuma olhar demais para os eixos urbanos do Sudeste e Sul, o Los Porongas veio do Acre para provar que a Floresta Amazônica produz um dos sons mais profundos, poéticos e universais do país. Nascida em Rio Branco, a banda conquistou o circuito independente nacional ao misturar a urgência do pós-punk e do indie rock com a brasilidade lírica e os sentimentos da Amazônia urbana.
A Origem em Rio Branco (2003)
A banda começou sua trajetória em 2003, na capital do Acre, Rio Branco. O nome “Los Porongas” vem de poronga, a lâmpada artesanal movida a querosene usada pelos seringueiros para iluminar os caminhos na mata fechada durante a noite. Uma metáfora perfeita para a proposta do grupo: trazer luz e voz à cultura do Norte através da música.
Em meados dos anos 2000, o grupo tomou a decisão estratégica de se mudar para São Paulo, tornando-se uma das bandas mais respeitadas do underground nacional e abrindo portas para toda a cena independente da Região Norte.
Os Integrantes
A sonoridade envolvente do Los Porongas é fruto do entrosamento da sua formação clássica:
- Dito Bruzugu: Vocalista (com uma voz marcante, poética e performática).
- João Eduardo: Guitarra.
- Márcio Magalhães: Bateria.
- Saulo DeCarli: Baixo.
Discos e Obras-Primas
A discografia do grupo é marcada por letras introspectivas, arranjos de guitarras detalhistas e refrãos que ecoam como orações profanas:
- Los Porongas (2007): O álbum de estreia que chutou as portas da cena indy nacional. Produzido por Tomás Magno, trouxe clássicos como “Enquanto a Trégua Não Vem”, “Nenhum De Nós” e “Petrify”, estabelecendo o grupo como uma das maiores revelações do rock brasileiro na época.
- O Oitavo Vinil (2011): Um disco denso, político e refinado, que trouxe participações de peso como Fernando Anitelli (O Teatro Mágico) e reafirmou a maturação do grupo em faixas como “Menino” e “Roda de Circo”.
- Infinito (2015): Lançado para celebrar a trajetória da banda, um álbum atmosférico e expansivo que reafirma a poética única de Dito Bruzugu e os arranjos climáticos do quarteto.
O Impacto na Cena e Festivais
O Los Porongas pavimentou um caminho histórico: tornou-se a primeira banda do Acre a atingir projeção nacional de massa no circuito de festivais. O grupo marcou presença em eventos gigantescos como o Festival Varadouro (idealizado na própria região Norte), Abril Pro Rock, Porão do Rock, Goiânia Noise e Circo Voador, encantando a crítica especializada e arrebanhando fãs fiéis por onde passou.





