Comparação das propostas dos candidatos à presidência da República federativa do Brasil — Eleições 2026

Importante: isso é uma comparação das propostas oficialmente registradas, não uma avaliação de viabilidade ou uma recomendação de voto. Algumas medidas dependem de aprovação do Congresso, mudanças legais ou constitucionais, orçamento e/ou cooperação com estados e municípios.

Para evitar misturar promessas de entrevistas, redes sociais ou notícias, usei como referência principal os planos de governo registrados oficialmente no TSE para as Eleições 2026. O próprio TSE informa que esses documentos são as propostas apresentadas oficialmente pelas candidaturas.

Plano de governo de Lula — TSE
Plano de governo de Flávio Bolsonaro — TSE


ÁreaLula — proposta, dinheiro, Congresso e possível efeitoFlávio Bolsonaro — proposta, dinheiro, Congresso e possível efeito
SaúdeProposta: reduzir filas, ampliar especialistas, Farmácia Popular, Mais Médicos e saúde digital. Recursos: orçamento federal do SUS, investimentos e parcerias; o plano não apresenta custo total. Como referência, o Novo PAC Saúde prevê R$ 31,5 bi até 2026. Congresso: novas despesas e alterações legais podem exigir aprovação. Efeito possível: maior oferta de consultas, exames e medicamentos. (Tribunal Superior Eleitoral)Proposta: reduzir filas usando IA, prontuário eletrônico, prevenção e horários ociosos da rede privada. Recursos: orçamento do SUS e contratação de serviços privados; custo total não informado. Congresso: mudanças legais/orçamentárias podem exigir aprovação. Efeito possível: consultas e exames mais rápidos, caso haja capacidade e financiamento suficientes. (Tribunal Superior Eleitoral)
EducaçãoProposta: ampliar creches, ensino integral, Pé-de-Meia, ensino técnico e Institutos Federais. Recursos: orçamento da educação e programas federais. Custo adicional total não informado. Congresso: alterações legais e novas despesas dependem do Legislativo. Efeito possível: mais vagas, permanência escolar e formação profissional. (Tribunal Superior Eleitoral)Proposta: alfabetização pelo método fônico, reforço escolar, ensino integral, escolas cívico-militares, ensino técnico e vouchers quando faltarem vagas. Recursos: orçamento educacional; o plano não apresenta custo total. Congresso: mudanças em financiamento e legislação podem depender do Legislativo. Efeito possível: maior diversidade de modelos de ensino e reforço escolar. (Tribunal Superior Eleitoral)
SegurançaProposta: combater organizações criminosas por inteligência, integração policial, controle de armas, fronteiras e bloqueio financeiro. Recursos: orçamento federal de segurança. Congresso: mudanças na legislação penal e de segurança dependem do Legislativo. Efeito possível: maior integração entre polícias e foco no crime organizado. (Tribunal Superior Eleitoral)Proposta: endurecer combate às facções, reforçar fronteiras, presídios e reconhecimento facial; prevê maioridade penal e progressão zero para crimes hediondos. Recursos: orçamento de segurança; valores não detalhados. Congresso: várias medidas penais exigiriam novas leis e, em alguns casos, alteração constitucional. Efeito possível: penas mais rígidas e maior investimento policial. (Tribunal Superior Eleitoral)
TrabalhoProposta: acabar com a escala 6×1 e buscar jornada de 40 horas, além de regulamentar trabalho por aplicativos. Recursos: não representa necessariamente despesa direta do governo, mas pode elevar custos para empresas. Congresso: depende de alteração na legislação trabalhista. Efeito possível: mais tempo livre para trabalhadores, mas possível aumento do custo da mão de obra. (Tribunal Superior Eleitoral)Proposta: reduzir custo de contratação, facilitar primeiro emprego e contratação de pessoas acima de 50 anos e fortalecer negociação entre empregado e empresa. Recursos: principalmente mudanças regulatórias; custo fiscal não detalhado. Congresso: alterações trabalhistas dependem de leis. Efeito possível: tentativa de estimular contratações, com mudanças na relação entre direitos e custos trabalhistas. (Tribunal Superior Eleitoral)
Assistência SocialProposta: fortalecer Bolsa Família, SUAS e políticas de cuidados para crianças, idosos e pessoas vulneráveis. Recursos: orçamento da assistência social e transferências federais. Congresso: novas despesas precisam estar no orçamento aprovado. Efeito possível: manutenção/ampliação da proteção de famílias de baixa renda. (Tribunal Superior Eleitoral)Proposta: manter programas sociais e criar uma ligação maior entre benefício, qualificação e emprego; prevê retorno ao benefício após seguro-desemprego. Recursos: orçamento dos programas sociais; valores adicionais não detalhados. Congresso: mudanças nas regras dos benefícios podem exigir legislação. Efeito possível: maior estímulo à entrada no mercado de trabalho. (Tribunal Superior Eleitoral)
EconomiaProposta: crescimento com investimento público, indústria, crédito, valorização do salário mínimo e responsabilidade fiscal pelo arcabouço. Recursos: orçamento, crédito, investimentos privados e receitas públicas. Congresso: mudanças tributárias e legais dependem do Legislativo. Efeito possível: maior investimento e consumo, mas a execução depende do equilíbrio entre gastos, receitas e dívida. (Tribunal Superior Eleitoral)Proposta: reduzir impostos e burocracia, cortar gastos, reformar o Estado e buscar equilíbrio fiscal. Recursos: economia de despesas e mudanças tributárias; o plano não quantifica integralmente a economia esperada. Congresso: reformas tributária e administrativa dependem do Legislativo. Efeito possível: redução de custos para empresas e consumidores, caso as medidas sejam aprovadas e executadas. (Tribunal Superior Eleitoral)
InfraestruturaProposta: continuar o Novo PAC em transporte, saneamento, habitação, energia e logística. Recursos: orçamento, financiamentos e participação privada. O Novo PAC prevê R$ 1,8 trilhão, sendo R$ 1,3 trilhão até 2026 e R$ 500 bi depois. Congresso: obras dependem de orçamento, licitações e, conforme o caso, legislação. Efeito possível: obras, empregos e melhoria da infraestrutura. (Tribunal Superior Eleitoral)Proposta: R$ 900 bilhões em quatro anos para rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. Recursos: PPPs, concessões, BNDES e fundo baseado em ativos/imóveis da União. Congresso: parte pode depender de leis, orçamento e concessões. Efeito possível: melhoria logística e redução do custo de transporte se os investimentos forem realizados. (Campanha Flávio Bolsonaro Presidente 22)
Meio AmbienteProposta: buscar desmatamento líquido zero, combater queimadas, restaurar florestas, ampliar energias renováveis e mercado de carbono. Recursos: orçamento, Fundo Amazônia, Fundo Clima e investimentos privados. Congresso: algumas regras dependem de legislação. Efeito possível: redução do desmatamento e maior investimento em economia de baixo carbono. (Tribunal Superior Eleitoral)Proposta: preservar florestas conciliando produção, ampliar mercado de carbono, pagamento por preservação, bioeconomia e fiscalização. Recursos: orçamento, mercado de carbono e investimentos privados. Congresso: algumas alterações regulatórias dependem do Legislativo. Efeito possível: buscar preservação associada à geração de renda e produção. (Tribunal Superior Eleitoral)
Relações InternacionaisProposta: fortalecer Mercosul, integração sul-americana, BRICS e relações com África, Ásia e Oriente Médio, além de atuação em ONU/OMC/FMI. Recursos: principalmente estrutura diplomática e negociações; não há grande custo fiscal diretamente especificado. Congresso: tratados internacionais relevantes podem depender de aprovação do Congresso. Efeito possível: diversificação de parceiros comerciais e maior atuação diplomática. (Tribunal Superior Eleitoral)Proposta: ampliar abertura comercial, buscar adesão à OCDE, aumentar participação brasileira nas cadeias globais e fortalecer empresas brasileiras no exterior. Recursos: diplomacia econômica, Apex e BNDES; valores não detalhados. Congresso: alguns acordos e mudanças legais dependem do Legislativo. Efeito possível: maior abertura a mercados e investimentos estrangeiros, com maior concorrência para empresas brasileiras. (Tribunal Superior Eleitoral)

Em termos bem simples

Sem dizer qual proposta é “melhor”, a diferença de ênfase entre os programas pode ser resumida assim:

  • Lula: maior atuação do Estado na oferta de serviços públicos, proteção social, investimentos, infraestrutura e políticas de redução de desigualdade, combinada com participação privada e responsabilidade fiscal.
  • Flávio Bolsonaro: maior ênfase em redução de burocracia e impostos, participação privada, segurança pública mais rigorosa, autonomia individual e aproximação entre educação, trabalho e mercado.

Há uma diferença importante entre “a proposta tem uma fonte de recursos indicada” e “o dinheiro já está garantido”.

Por exemplo:

  • O Novo PAC de Lula possui uma estrutura de financiamento já definida, envolvendo orçamento federal, financiamentos e setor privado. O governo informa R$ 1,8 trilhão de investimentos previstos.
  • A proposta de R$ 900 bilhões em infraestrutura de Flávio Bolsonaro é um compromisso do plano de governo. O próprio plano indica PPPs, concessões, BNDES e um fundo lastreado em ativos da União como mecanismos de financiamento. Isso não significa que R$ 900 bilhões estejam hoje disponíveis no orçamento federal.
  • Para diversas outras propostas dos dois candidatos, não existe no plano um valor total de quatro anos. Nesse caso, não seria correto eu inventar um custo.

O ponto mais importante: o que o presidente consegue fazer sozinho?

Essa é uma informação que considero fundamental para avaliar qualquer plano de governo.

O presidente pode administrar diretamente a máquina federal, nomear ministros, executar políticas dentro da legislação existente e propor projetos. Porém, orçamento, mudanças tributárias, alterações trabalhistas, reformas administrativas, mudanças penais e alterações constitucionais dependem, em diferentes graus, do Congresso Nacional. A Constituição estabelece que PPA, LDO, orçamento anual e créditos adicionais passam pelo Congresso.

Nas propostas mais profundas, a diferença é ainda maior. Uma PEC precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado, com três quintos dos votos em cada Casa.

Uma forma simples de o eleitor analisar

Em vez de perguntar apenas “qual candidato promete mais?”, vale fazer estas cinco perguntas para cada proposta:

  1. O que exatamente será feito?
  2. Quanto custa?
  3. De onde virá o dinheiro?
  4. O presidente pode fazer sozinho ou precisa do Congresso?
  5. O que muda concretamente na minha vida?

Isso é particularmente importante porque “reduzir impostos”, por exemplo, pode beneficiar o consumidor, mas também reduz receita do governo; enquanto “aumentar investimentos públicos” pode gerar obras e empregos, mas exige espaço no orçamento ou financiamento.


Tire suas conclusões sobre os candidatos. Pare de ouvir apenas atques de um para o outro. Olhe a proposta de cada candidato e decida pelas propostas VIÁVEIS apresentadas.

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